há alguns meses atrás, enquanto eu lamuriava a falta tua, tu me destes uma estrela do céu. me dissestes 'olhe para o céu e procure a estrela mais brilhante. vês? pois é um presente meu pra ti'. e assim eu me sentia mais perto, sempre que o via com tantas gotículas brilhantes ao redor da nossa, fervendo lá em cima, ameaçando desabar a qualquer segundo. não suficiente, ontem mais uma vez tu me destes estrelas. dessa vez uma constelação inteira, as quais eu pude tocar com as mãos nas tuas. uma constelação que agitava-se sob nossos pés, mudando de lugar quase sem o acompanhar dos nossos olhos. fiquei eufórica, meu amor, eu extasiava por dentro e me alagava inteira. meu coração tinha explodido.
creio que tu querias me devastar em felicidade, pois como se não bastasse, tu me destes a lua no estado mais lindo que eu já pudera ter visto. te retribuí com meus mascotes que alimento lá dentro desde muito pequena. tudo que sempre quiséramos dividir com alguém que o merecesse, pequena, e agora o temos. tu me tens, eu te tenho. e até o que nem pensávamos que pudéssemos ter, nos demos: o campo dos sonhos estourando, não cabendo em si por toda aquela multidão que éramos nós duas, a escuridão, as estrelas de cima, as estrelas debaixo, os mascotes, a lua obesa que se agarrava ao céu, e o nosso amor. o nosso amor, que ocupava cada centímetro quadrado. as pessoas ficavam cada vez mais distantes, a anos-luz da nossa bolha que crescia e crescia e espremia-os lá fora. nós nos roubamos mutuamente do mundo.
nunca antes eu ousara abusar de todos os sentidos ao mesmo tempo. nunca antes eu vira/sentira tudo tão bonito. nunca antes eu fora tão feliz, meu amor. tu me destes coisas as quais eu não esquecerei, te prometo. foram as melhores horas que poderíamos ter tido, e tivemos. não suficientes, já que nos confessamos em sussurros suficiente ser nada menos que a vida inteira, mas eu te garanto que as mais incríveis que se fizeram possíveis.
queria poder guardar tudo que senti contigo num vidro, mon core, mas não posso. o que posso é guardá-las cuidadosamente na minha melhor gaveta. aquela que te falei que eu mesma fiz, lembra? com papel e madeira e memórias – só nossas.
por mais que eu escreva e escreva e fale e sussurre e grite, não me caberão em palavras o quanto te amo ou quão feliz tu me faz. não, querida, não briguei com elas mais uma vez, é só que, como já te disse, essas coisas tão tão grandes que tu me faz sentir não cabem em coisinhas tão tão pequenininhas que elas são.
ainda assim, insisto em dizer que te amo, meu grande amor. mais que qualquer coisa, mais que todas as coisas, mais do que 'amor' possa significar. tu estoura meu peito em dosagens desmedidas do teu amor, me afogando no melhor que eu poderia sentir.
te juro amor eterno, minha bruna. amor eterno.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
gavetas entreabertas
tenho em mim uma grande, pesada e líquida bigorna. um peso devastador – hora insuportável, hora fraco, porém constante – que corre por minhas veias, que encharca meus ossos, que me embrulha o estômago. é denso, viscoso e cru, ainda que flamejante. um ardor que embebo e álcool e sufoco em nicotina, inutilmente.
não lembro por onde andei nos anos que antecederam o dia de hoje. há algumas horas abri os olhos pela primeira vez. fiquei cega durante incontáveis e angustiantes minutos. não há nada ao redor se não areia. não há ninguém além de mim. não tenho medo. não ainda. não tenho tempo. logo, eles chegam. devem ser três ou cinco; talvez cinqüenta ou cem. são mais altos que eu, mais fortes que eu, mais cruéis que eu. eles não têm cor ou sexo. gritam todos ao mesmo tempo palavras que não me fazem sentido algum. dizem-me que tenho um nome e muitos pecados pelos quais pagar. atam cordas nos meus pulsos e tornozelos. um por vez, me socam e molestam, depois, todos juntos. não grito. uma ou duas vezes, desmaio tamanha dor sinto. então, quando acordo, lá estão eles outra vez, esperando que eu me faça consciente e possa sofrer um pouco mais.
espero que parem, mantenho-me passiva com uma lembrança que não sei de onde vem ou por que a guardo. é um rosto nítido num corpo um tanto quanto desfocado. são olhos pequenos-estreitos que parecem ter estrelas – talvez uma constelação inteira – engavetados. a boca parece ser de uma maciez sem mensuras e a voz dela é tão sutil que me embriaga em arrepios, ainda que só me dê uma única frase: "eu vou te tirar daqui, Stella". Stella. pois então esse é meu nome. não entendo então o que faz com que esses que me violentam vomitem "Astrid" em grunhidos vulgares.
na terceira vez em que acordo dos desmaios já não há ninguém mais uma vez e começo a considerar a hipótese de um longo delírio. olho ao redor e não há sequer um grão de areia. o que vejo são tábuas de madeira no chão; uma mesa que parece ser do século passado, tal qual os demais – que são poucos – móveis do cômodo; e uma máquina de escrever sem pó sobre as teclas. há também uma cama com detalhes entalhados, e, eu teria me prendido a eles, não fosse a presença dela agarrando meu olhar. ela, a lembrança que me fez suportar, agora sentada em meio a lençóis revirados, me observando incógnita, ali, deitada na madeira fria. reconheci a voz que manteve-me viva não mais naquela única frase, e sim num doce "meu amor, outro pesadelo? volte pra cama agora. tudo está bem".
ouço as palavras saírem sem que as saiba dizer: "desculpe, querida. sim, outro pesadelo". deito ao lado dela e aconchego-me em abraços que me enlaçam. um lugar que sinto tão meu, tão, tão meu.
- eu te amo, Stella.
-eu te amo, Alice.
não lembro por onde andei nos anos que antecederam o dia de hoje. há algumas horas abri os olhos pela primeira vez. fiquei cega durante incontáveis e angustiantes minutos. não há nada ao redor se não areia. não há ninguém além de mim. não tenho medo. não ainda. não tenho tempo. logo, eles chegam. devem ser três ou cinco; talvez cinqüenta ou cem. são mais altos que eu, mais fortes que eu, mais cruéis que eu. eles não têm cor ou sexo. gritam todos ao mesmo tempo palavras que não me fazem sentido algum. dizem-me que tenho um nome e muitos pecados pelos quais pagar. atam cordas nos meus pulsos e tornozelos. um por vez, me socam e molestam, depois, todos juntos. não grito. uma ou duas vezes, desmaio tamanha dor sinto. então, quando acordo, lá estão eles outra vez, esperando que eu me faça consciente e possa sofrer um pouco mais.
espero que parem, mantenho-me passiva com uma lembrança que não sei de onde vem ou por que a guardo. é um rosto nítido num corpo um tanto quanto desfocado. são olhos pequenos-estreitos que parecem ter estrelas – talvez uma constelação inteira – engavetados. a boca parece ser de uma maciez sem mensuras e a voz dela é tão sutil que me embriaga em arrepios, ainda que só me dê uma única frase: "eu vou te tirar daqui, Stella". Stella. pois então esse é meu nome. não entendo então o que faz com que esses que me violentam vomitem "Astrid" em grunhidos vulgares.
na terceira vez em que acordo dos desmaios já não há ninguém mais uma vez e começo a considerar a hipótese de um longo delírio. olho ao redor e não há sequer um grão de areia. o que vejo são tábuas de madeira no chão; uma mesa que parece ser do século passado, tal qual os demais – que são poucos – móveis do cômodo; e uma máquina de escrever sem pó sobre as teclas. há também uma cama com detalhes entalhados, e, eu teria me prendido a eles, não fosse a presença dela agarrando meu olhar. ela, a lembrança que me fez suportar, agora sentada em meio a lençóis revirados, me observando incógnita, ali, deitada na madeira fria. reconheci a voz que manteve-me viva não mais naquela única frase, e sim num doce "meu amor, outro pesadelo? volte pra cama agora. tudo está bem".
ouço as palavras saírem sem que as saiba dizer: "desculpe, querida. sim, outro pesadelo". deito ao lado dela e aconchego-me em abraços que me enlaçam. um lugar que sinto tão meu, tão, tão meu.
- eu te amo, Stella.
-eu te amo, Alice.
primeiro bilhete de linhas rasgadas
alice, meu amor,
estou mudando. não, não, não vou sair da cidade ou coisa que o valha. que dizer, bem, talvez eu saia, mas não mudar de casa, talvez eu só queira mudar de ares. tá me entendendo? eu sei que sim, me desculpe. desculpe o tempo sem escrever, têm acontecido inúmeras coisas. contarei tudo quando puder enumerá-las sem encher os olhos de lágrimas em grossas gotas de saudades. não me esqueça, tá bem? prometo não enlouquecer ou me tornar um monstro. ou melhor, não um monstro pior do que esse que tu ama.
me espera.
te amarei para todo o resto da eternidade. nunca amarei outro alguém.
sempre tua, stella.
estou mudando. não, não, não vou sair da cidade ou coisa que o valha. que dizer, bem, talvez eu saia, mas não mudar de casa, talvez eu só queira mudar de ares. tá me entendendo? eu sei que sim, me desculpe. desculpe o tempo sem escrever, têm acontecido inúmeras coisas. contarei tudo quando puder enumerá-las sem encher os olhos de lágrimas em grossas gotas de saudades. não me esqueça, tá bem? prometo não enlouquecer ou me tornar um monstro. ou melhor, não um monstro pior do que esse que tu ama.
me espera.
te amarei para todo o resto da eternidade. nunca amarei outro alguém.
sempre tua, stella.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
um telegrama
alice,
destranque as janelas, meu amor, que essa noite não pedirei licença ao invadir teu quarto com meus cigarros entre os lábios e as mãos calando tua boca. não apavore-se, não tente gritar. deixarei ao alcance da sacada a corda que tenho amarrada na estrela que tu me destes e te levarei ao céu em segundos.
beijos curtos, que os longos te entrego quando a única luz que eu vir for a dos teus olhos.
sempre, sempre tua em teus amores,
stella.
destranque as janelas, meu amor, que essa noite não pedirei licença ao invadir teu quarto com meus cigarros entre os lábios e as mãos calando tua boca. não apavore-se, não tente gritar. deixarei ao alcance da sacada a corda que tenho amarrada na estrela que tu me destes e te levarei ao céu em segundos.
beijos curtos, que os longos te entrego quando a única luz que eu vir for a dos teus olhos.
sempre, sempre tua em teus amores,
stella.
domingo, 28 de dezembro de 2008
carta número quatro
alice, minha alice,
nos dias em que não tive como vir até tua porta (os meus mais tristes, confesso) te escrevi muitas cartas. em guardanapos de pano e de papel; no verso de fotos nossas; no vapor do box do banheiro.
enquanto tomava sorvete de flocos, pensava em ti. enquanto procurava marlboros, pensava em ti. nas aventuras pelo moinho/gruta/etecétera, pensava em ti. no banho com água fria (e sabonete) pensava em ti. antes de dormir, pensava em ti. sonhava contigo. acordava pensando em ti. entre tanto barulho, pensava em ti e sentia a falta imensa da tua voz. entre tantos silêncios, pensava em ti e te precisava pra escutá-los comigo. na festa onde ninguém tinha graça, pensava em ti e te queria pra que enchesse meus olhos.
tudo que fiz e que passei nesses dias de ausência tua foi baseado nas lembranças que me nutrem. nos momentos que nós construímos todos os dias, pedrinha sobre pedrinha, cuidadosamente escolhidas a dedo por nós.
pensei em ti a cada segundo. me movi por ti. respirei por ti. vivi por ti. morri um pouco, por ti. e renasci com mais que o dobro anterior hoje ao te ver.
em anexo (acho bonito falar anexo, sabe) vai um pedaço do meu lugar melhor do mundo, todo pra ti, cheio de um sorriso mal visto e nem percebido por outros olhos (já que não eram os teus). não quero te mandar mais pedaços das minhas coisas, sabe. quero vivê-las contigo e somente contigo. com ninguém mais. sequer comigo mesma.
eu te amo, minha alice. eu lutaria contra um exército inteiro por ti. eu lutarei. pouco importa quantas cabeças, braços ou cerejas eu tenha que pisar no caminho. qualquer coisa significa qualquer coisa.
daquela que não faz outra se não te amar e te querer,
stella.
nos dias em que não tive como vir até tua porta (os meus mais tristes, confesso) te escrevi muitas cartas. em guardanapos de pano e de papel; no verso de fotos nossas; no vapor do box do banheiro.
enquanto tomava sorvete de flocos, pensava em ti. enquanto procurava marlboros, pensava em ti. nas aventuras pelo moinho/gruta/etecétera, pensava em ti. no banho com água fria (e sabonete) pensava em ti. antes de dormir, pensava em ti. sonhava contigo. acordava pensando em ti. entre tanto barulho, pensava em ti e sentia a falta imensa da tua voz. entre tantos silêncios, pensava em ti e te precisava pra escutá-los comigo. na festa onde ninguém tinha graça, pensava em ti e te queria pra que enchesse meus olhos.
tudo que fiz e que passei nesses dias de ausência tua foi baseado nas lembranças que me nutrem. nos momentos que nós construímos todos os dias, pedrinha sobre pedrinha, cuidadosamente escolhidas a dedo por nós.
pensei em ti a cada segundo. me movi por ti. respirei por ti. vivi por ti. morri um pouco, por ti. e renasci com mais que o dobro anterior hoje ao te ver.
em anexo (acho bonito falar anexo, sabe) vai um pedaço do meu lugar melhor do mundo, todo pra ti, cheio de um sorriso mal visto e nem percebido por outros olhos (já que não eram os teus). não quero te mandar mais pedaços das minhas coisas, sabe. quero vivê-las contigo e somente contigo. com ninguém mais. sequer comigo mesma.
eu te amo, minha alice. eu lutaria contra um exército inteiro por ti. eu lutarei. pouco importa quantas cabeças, braços ou cerejas eu tenha que pisar no caminho. qualquer coisa significa qualquer coisa.
daquela que não faz outra se não te amar e te querer,
stella.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
carta número três
minha densa e encantadora alice,
me desculpe por deixar essa carta na caixa de correio e não por debaixo da porta como das outras vezes, mas me envergonha não ter a dália vermelha como dama-de-companhia, seguindo o exemplo anteriores. eu poderia dizer qualquer coisa, mas em casos como esse - todos que referem-se à ti - opto pela verdade: eu não quis. sequer procurei a mais bonita como das outras vezes, como nos outros anos. não, meu amor. me desculpe.
talvez eu já não seja mais tão romântica como quando te conheci - apaixonada sim, disso tenho certeza - mas bem, eu nunca fui dada a grandes demonstrações de afeto, tu bem sabes. as dálias já haviam tornado-se algo sem o mesmo fervor do início - para que de fato, foram feitas. dálias foram feitas para que causassem paixão, afinal de contas. e paixão dilacera.
tenho pensado muito sobre essas coisas sabe? não, não a paixão nem o fervor. sobre flores e frutas. as flores são bonitas mas tão sem-nada-para-se-descobrir. não te cansam essas coisas de não haver nada mais para se conhecer, desvendar, interpretar? a mim me cansam.
tenho pensado em morangos. um morango nunca vai ter o mesmo gosto da primeira mordida, na segunda. um morango é vermelho-gordo. acho bonitos. assim sabe, delicados e com a cara a tapa. a cara vermelha e rechonchuda que só um morango poderia ter.
tenho pensado em figos, também. na verdade bem mais em figos que em morangos. acho os figos explêndidos! são tão pequeninhos e durões e cheios daquele arzinho de superioridade forjado. ainda que bonitos out, o melhor do figo encontra-se in. é que quando sente-se o 'dentro' do figo, que se vê que tem milhões de pedacinhos se espremendo ali dentro, quanta coisa boa tem o figo ali escondido dentro de si! deveria ser ao avesso né? não. porque o melhor de tudo é descobrir.
tenho pensado em figos, tenho pensado em morangos, e melhor que isso, tenho pensado na combinação dos dois. é absolutamente incrível os diversos sabores que as duas mesmas frutas podem causar ao paladar. vai ver são inconstantes. vai ver se amam e se completam e se querem e se combinam tanto que até quando mudam, mudam do mesmo jeito, cada um pro seu lado.
pode rir, docinho, sei que não tem sentido o que tenho dito. morangos com rostos, figos interessantes, combinações amorosas. nada disso faz sentido. nunca fez.
acho cartas nas caixas de correio tão secas, tão frias.
não sei como me terminar, então, até logo meu amor.
ps¹: sobre eu não ser mais tão romântica, eu menti.
ps²: sobre o amor não ter nada a ver com figos e morangos, eu menti.
ps³: uma mentirosa nata, obrigada. agora meu amor, delicie-se com os figos e morangos que deixei no fundo da caixa do correio.
sempre, sempre tua, stella.
me desculpe por deixar essa carta na caixa de correio e não por debaixo da porta como das outras vezes, mas me envergonha não ter a dália vermelha como dama-de-companhia, seguindo o exemplo anteriores. eu poderia dizer qualquer coisa, mas em casos como esse - todos que referem-se à ti - opto pela verdade: eu não quis. sequer procurei a mais bonita como das outras vezes, como nos outros anos. não, meu amor. me desculpe.
talvez eu já não seja mais tão romântica como quando te conheci - apaixonada sim, disso tenho certeza - mas bem, eu nunca fui dada a grandes demonstrações de afeto, tu bem sabes. as dálias já haviam tornado-se algo sem o mesmo fervor do início - para que de fato, foram feitas. dálias foram feitas para que causassem paixão, afinal de contas. e paixão dilacera.
tenho pensado muito sobre essas coisas sabe? não, não a paixão nem o fervor. sobre flores e frutas. as flores são bonitas mas tão sem-nada-para-se-descobrir. não te cansam essas coisas de não haver nada mais para se conhecer, desvendar, interpretar? a mim me cansam.
tenho pensado em morangos. um morango nunca vai ter o mesmo gosto da primeira mordida, na segunda. um morango é vermelho-gordo. acho bonitos. assim sabe, delicados e com a cara a tapa. a cara vermelha e rechonchuda que só um morango poderia ter.
tenho pensado em figos, também. na verdade bem mais em figos que em morangos. acho os figos explêndidos! são tão pequeninhos e durões e cheios daquele arzinho de superioridade forjado. ainda que bonitos out, o melhor do figo encontra-se in. é que quando sente-se o 'dentro' do figo, que se vê que tem milhões de pedacinhos se espremendo ali dentro, quanta coisa boa tem o figo ali escondido dentro de si! deveria ser ao avesso né? não. porque o melhor de tudo é descobrir.
tenho pensado em figos, tenho pensado em morangos, e melhor que isso, tenho pensado na combinação dos dois. é absolutamente incrível os diversos sabores que as duas mesmas frutas podem causar ao paladar. vai ver são inconstantes. vai ver se amam e se completam e se querem e se combinam tanto que até quando mudam, mudam do mesmo jeito, cada um pro seu lado.
pode rir, docinho, sei que não tem sentido o que tenho dito. morangos com rostos, figos interessantes, combinações amorosas. nada disso faz sentido. nunca fez.
acho cartas nas caixas de correio tão secas, tão frias.
não sei como me terminar, então, até logo meu amor.
ps¹: sobre eu não ser mais tão romântica, eu menti.
ps²: sobre o amor não ter nada a ver com figos e morangos, eu menti.
ps³: uma mentirosa nata, obrigada. agora meu amor, delicie-se com os figos e morangos que deixei no fundo da caixa do correio.
sempre, sempre tua, stella.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
carta número dois
alice -minha doce e neurótica alice,
no pó por sobre os móveis do meu quarto; nas janelas de desenhos teus de prédios nossos; na semente e nas lembranças: escondido, metade coberto, eu encontro -teu amor.
tão sutil, me ferindo de leve às vezes. noutras em rompantes que me arrancam pedaços. eu te permito. leve todos, leve inteira, leve tudo. eu te deixo. eu te dou. mas por favor, leve e não vá embora. gosto de ter teus olhos reagindo a esses falsos roubos -entregues. leve e fique do meu lado. não me solte a mão que sem ti eu deixo de respirar. não se canse, não fuja.
ainda que não nos vejamos, continuarei a te invadir pela sacada à noite com meus cigarros de filtro esmagados entre os dedos, deixando bilhetes à cabeceira da tua cama até que sejam suficientes para te mostrar que eu não te disse uma sequer mentira. fosse no 'eu te amo', fosse no 'pra sempre'. continuarei a te dar um sonho diferente do outro todas as noites. até sempre ma belle, até sempre.
com meu amor mais imenso e minha saudade mais branca, beijos infindos.
tua stella.
no pó por sobre os móveis do meu quarto; nas janelas de desenhos teus de prédios nossos; na semente e nas lembranças: escondido, metade coberto, eu encontro -teu amor.
tão sutil, me ferindo de leve às vezes. noutras em rompantes que me arrancam pedaços. eu te permito. leve todos, leve inteira, leve tudo. eu te deixo. eu te dou. mas por favor, leve e não vá embora. gosto de ter teus olhos reagindo a esses falsos roubos -entregues. leve e fique do meu lado. não me solte a mão que sem ti eu deixo de respirar. não se canse, não fuja.
ainda que não nos vejamos, continuarei a te invadir pela sacada à noite com meus cigarros de filtro esmagados entre os dedos, deixando bilhetes à cabeceira da tua cama até que sejam suficientes para te mostrar que eu não te disse uma sequer mentira. fosse no 'eu te amo', fosse no 'pra sempre'. continuarei a te dar um sonho diferente do outro todas as noites. até sempre ma belle, até sempre.
com meu amor mais imenso e minha saudade mais branca, beijos infindos.
tua stella.
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